Lista atualizada dos suplementos recomendados para corredores

Para corredores de diferentes níveis, os suplementos para corrida podem atuar como ferramentas úteis para sustentar o desempenho, favorecer a recuperação muscular e apoiar funções essenciais do organismo. Eles não substituem treinos estruturados, uma alimentação equilibrada nem hábitos adequados, mas podem auxiliar no suporte a demandas fisiológicas específicas de corredores que mantêm uma rotina de corrida.

A seguir, apresentamos os suplementos mais utilizados por corredores, explicando como cada um funciona e quais critérios devem orientar a escolha. As informações se baseiam em evidências científicas e na experiência prática de quem vive a corrida no dia a dia.

1. Gel de carboidrato

Os géis de carboidrato são suplementos utilizados por corredores em treinos e provas com duração superior a 60 minutos. Eles fornecem energia de rápida disponibilidade e ajudam a sustentar a intensidade do esforço, reduzindo o risco de queda de rendimento associada ao esgotamento das reservas de glicogênio durante atividades prolongadas.

Além dos géis tradicionais, vale destacar os hidrogéis de carboidrato, que utilizam uma matriz específica para encapsular os carboidratos. Essa tecnologia permite que o gel aja de forma mais eficiente, liberando a energia principalmente no intestino, o que pode favorecer a absorção e reduzir desconfortos gastrointestinais durante esforços intensos e prolongados.

Para entender como utilizar o gel de carboidrato de forma estratégica, vale conhecer seus principais tipos. Fórmulas que combinam maltodextrina, palatinose ou dextrose costumam apresentar boa eficiência energética, já que oferecem diferentes velocidades de absorção.

Na Velocità, você encontra uma seleção de géis de carboidrato escolhidos por quem corre. Se quiser explorar opções confiáveis para treinos e provas longas, vale conhecer as alternativas disponíveis.

2. Eletrólitos

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Os suplementos de eletrólitos na corrida são ferramentas importantes para corredores que precisam manter a hidratação e a eficiência neuromuscular ao longo dos treinos e provas. Durante a corrida, especialmente em sessões acima de 60 minutos ou em ambientes quentes, a perda de sódio e outros sais minerais pelo suor pode ser significativa, o que justifica o uso de produtos específicos para reposição.

Esses suplementos costumam combinar sódio, potássio, magnésio e cálcio em diferentes proporções, ajudando a sustentar a contração muscular adequada e a reduzir o risco de câimbras e queda de rendimento. Bebidas isotônicas, cápsulas ou tabletes permitem ajustes conforme a duração do esforço e o perfil do corredor. Mesmo com produtos bem formulados, a estratégia ideal deve considerar características individuais.

3. Proteína (whey protein ou proteína vegetal)

Considerado um dos suplementos pós-treino mais utilizados por corredores, o whey protein fornece proteína de alto valor biológico e boa digestibilidade. A meta-análise de Morton et al. (2018) indica que a suplementação proteica, incluindo o whey, favorece a síntese de proteínas musculares e auxilia na recuperação após esforços intensos, incluindo sessões de fortalecimento muscular, que são parte importante da preparação de corredores, desde que o consumo esteja ajustado às necessidades individuais.

4. Creatina

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Embora seja mais conhecida no contexto da musculação, a creatina também apresenta benefícios relevantes para corredores, sobretudo em treinos intensos e esforços de curta duração. Estudos como o de Kreider et al. (2017) mostram que a suplementação pode melhorar a ressíntese de ATP, favorecer a produção de força e reduzir a fadiga em treinos que exigem picos de intensidade.

5. Cafeína

A cafeína é um dos suplementos mais investigados na literatura esportiva, com efeitos consistentes sobre a performance aeróbica. Sua ação no sistema nervoso central reduz a percepção de esforço e pode favorecer a manutenção do ritmo em provas longas. A resposta varia conforme a tolerância individual, exigindo atenção a possíveis desconfortos gastrointestinais ou alterações de sono.

Uma revisão conduzida por Grgic et al. (2020) aponta que doses entre 3 e 6 mg/kg, quando ajustadas às particularidades do atleta, podem aumentar o tempo até a exaustão e aprimorar a resistência. Mesmo com evidências, a orientação de um profissional de saúde é fundamental para avaliar riscos e adequações.

6. Nitrato

O nitrato é um suplemento utilizado por corredores com foco em desempenho, especialmente em treinos e provas de intensidade moderada a alta. No organismo, ele é convertido em óxido nítrico, o que pode reduzir o custo energético da corrida, favorecendo a manutenção do ritmo ao longo do esforço.

Esse tipo de suplemento tende a fazer mais sentido para corredores com rotina de treino mais estruturada, que já apresentam boa base aeróbia e buscam ganhos específicos de performance. A resposta ao nitrato é individual e depende de fatores como nível de treinamento, dose e momento de consumo. Por envolver mecanismos fisiológicos relacionados à circulação e ao desempenho, seu uso deve ser orientado por um nutricionista esportivo, especialmente quando inserido na preparação para provas.

7. Glutamina

A glutamina é um suplemento que, por muitos anos, foi associada ao suporte do sistema imunológico, especialmente em atletas submetidos a períodos de treino intenso. Essa relação ganhou espaço na prática esportiva pela hipótese de que a queda dos níveis plasmáticos de glutamina após esforços prolongados poderia estar ligada ao aumento de infecções respiratórias.

No entanto, revisões mais recentes da literatura científica não apresentam evidências de que a suplementação de glutamina traga benefícios para corredores em termos de desempenho, recuperação ou proteção imunológica. Diferentemente de suplementos como a creatina, que conta com respaldo científico sólido para determinados contextos esportivos, a glutamina não demonstra efeitos claros para a maioria dos corredores.

O uso pode ser considerado apenas em situações específicas, como fases de maior estresse fisiológico, sempre com orientação profissional, já que a resposta individual varia bastante.

7. BCAA

Os BCAAs, formados pelos aminoácidos leucina, isoleucina e valina, são estudados por seu papel na recuperação muscular e na atenuação da percepção de fadiga em treinos prolongados. Eles costumam ser considerados em rotinas de alta exigência, sempre com avaliação profissional para entender se a suplementação faz sentido no contexto individual.

8. Vitaminas e minerais

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Micronutrientes como ferro, vitamina D, complexo B e zinco desempenham funções essenciais para a performance, especialmente na produção de energia e na oxigenação muscular. Corredores podem apresentar maior risco de deficiência, sobretudo de ferro, que impacta diretamente a capacidade aeróbica. Por isso, o monitoramento clínico e a suplementação individualizada, conduzidos por profissionais de saúde, são fundamentais.

Considerações finais sobre suplementação na corrida

A suplementação na corrida pode ser uma ferramenta útil para apoiar o desempenho, a recuperação e a saúde do corredor, desde que utilizada com critério. Carboidratos, proteínas, eletrólitos e outros compostos apresentados ao longo deste guia atuam em momentos distintos do treino e da prova, sempre de forma complementar a uma alimentação equilibrada e a um planejamento de treinos adequado.

O mais importante é entender quando e por que cada suplemento faz sentido, respeitando as necessidades individuais e, sempre que possível, contando com a orientação de um profissional de saúde.

Agora que você entende melhor como os suplementos podem apoiar diferentes fases da corrida, vale continuar no blog da Velocità e explorar nosso conteúdo sobre como escolher o melhor tênis de corrida para o seu perfil. Até breve!


Referências:

SILVA, P. O. et al. Consequências da suplementação alimentar com whey protein para praticantes de exercícios físicos: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/30933. Acesso em: 05 nov. 2025.

COSTA, A. et al. O uso da creatina em atletas de modalidades de alta intensidade e curto tempo de duração: uma revisão bibliográfica. Revista Saúde UNIFAN, 2023. Disponível em: http://saudeunifan.com.br/wp-content/uploads/2023/04/O-USO-DA-CREATINA-EM-ATLETAS-DE-MODALIDADES-DE-ALTA-INTENSIDADE-E-CURTO-TEMPO-DE-DURACAO-UMA-REVISAO-BIBLIOGRAFICA.pdf. Acesso em: 05 nov. 2025.

RODRIGUES, A. Y. F. et al. Efeitos da cafeína na atividade física: uma revisão sistemática com metanálise. Brazilian Journal of Development, 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/20344. Acesso em: 05 nov. 2025.

Stearns RL, Emmanuel H, Volek JS, Casa DJ. Effects of ingesting protein in combination with carbohydrate during exercise on endurance performance: a systematic review with meta-analysis. J Strength Cond Res. 2010 Aug;24(8):2192-202. doi: 10.1519/JSC.0b013e3181ddfacf. PMID: 20683237.

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Rodrigo Carneiro

Autor: Rodrigo Carneiro

Olá, sou Rodrigo Carneiro, corredor amador desde 1990. Além da corrida, também participo de corridas de aventura e ciclismo de longa distância desde 2013. Sempre fui apaixonado por desafios de longa distância e, na corrida, encontrei uma forma prazerosa e eficiente de manter minha saúde e qualidade de vida, combatendo o excesso de peso. Até hoje, corri 4 maratonas: São Paulo em 1999, Nova Iorque em 2007, Barcelona em 2009 e Paris (Olímpica*) em 2024. No ciclismo, concluí 3 edições da Paris-Brest-Paris, uma prova non-stop de 1200 km. Sou formado em engenharia e já passei por diversas áreas, como o mercado financeiro e um intercâmbio nos EUA, Inglaterra e Espanha. Em seguida, ingressei no varejo esportivo. Hoje, sou Diretor Técnico e Comercial da Velocità, empresa que fundei. Minha responsabilidade inclui a capacitação do time de atendimento e a definição do portfólio de produtos. Em 2024, apesar de não ser sorteado para a “Maratona para Todos” — a primeira edição da Maratona Olímpica aberta a amadores — decidi percorrer o mesmo trajeto na manhã da prova, que aconteceu durante a noite. Com a ajuda de um amigo, completei o percurso em pouco mais de 5 horas, apesar de alguns desvios por conta do trânsito fechado. Foi uma “prova” diferente, pois não é comum correr 42 km fora das competições oficiais. No blog da Velocità, compartilho meus conhecimentos para ajudar corredores a planejar maratonas, competições e provas, além de oferecer suporte na escolha do melhor tênis e acessórios, como vestimentas e técnicas.

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