Bastidores do On Running Summit Paris 2026: Engenharia, Inovação e o Futuro da Corrida

Ano passado, nos reunimos para programar as compras da On para o segundo semestre de 2026. Nossa pauta tinha dois focos claros: percepção de marca e inovação.

Poucas vezes vimos uma marca esportiva crescer tanto no Brasil em tão pouco tempo. Isso ocorreu apesar do posicionamento de preço premium e de alguns tropeços iniciais.

Parte desse sucesso veio da performance, especialmente entre os clientes da Velocità. Por outro lado, o uso casual explodiu, não apenas no Brasil. Como a tecnologia de amortecimento da On é visualmente marcante, os tênis são identificados de longe. Esse design único gerou um efeito amplificador.

O Desafio da Moda vs. Performance

O resultado colateral? Muitos consumidores passaram a não associar a marca à performance pura. Corredor busca conforto e inovação, mas exige consistência. Em um esporte que pode ser praticado por décadas, estar na moda não garante recompra. Produto bom é o primeiro passo.

Isso nos leva ao segundo ponto. A On nasceu da dor (literal!) dos fundadores e criou uma tecnologia inovadora. Porém, a marca passou alguns anos sem evoluir significativamente suas espumas, enquanto a indústria acelerava. Materiais avançados como TPU, TPE e PEBA migraram dos super tênis para as linhas intermediárias dos concorrentes.

Enquanto a On refinava o desenho das suas “Clouds”, os materiais ficavam para trás. Por quê? Devido ao novo processo produtivo do mercado.

O Quebra-Cabeça do “Cloud Supercrítico”

O EVA tradicional usava um processo químico moldado. Já as novas espumas injetam gases (como nitrogênio) sob alta pressão e temperatura. Esse processo supercrítico expande o material e traz imprevisibilidade.

Controlar o formato exato das Clouds após essa expansão explosiva era um pesadelo de engenharia. Ou a On abandonava sua identidade visual, ou resolvia o quebra-cabeça.

O resultado dessa resposta chega em breve: o Cloudsurfer 3, previsto para o final de 2026.

O Primeiro On Running Summit

Para contar essa virada, a On reuniu 100 varejistas especializados do mundo todo no primeiro On Running Summit, em Paris. O evento aconteceu no fim de semana da etapa parisiense da Diamond League.

A Velocità representou a América do Sul. Dividimos espaço com parceiros de peso, como as lojas The Loop (Austin) e Metta (Cidade do México).

Eu e o Alê testamos o Cloudsurfer 3 em primeira mão. O ajuste impecável impressionou: você corre e esquece que o tênis é novo.

Mas o evento foi além do produto. No segundo dia, conhecemos alguns bastidores sobre a fábrica própria que a On construiu ao lado da sede, em Zurique.

  • Tecnologia LightSpray: Vimos de perto o robô que monta o cabedal de um tênis em minutos, sem cola e sem intervenção humana. É o mesmo processo existente na fábrica em Zurique.
  • Inovação “Em Casa”: Eles instalaram um forno autoclave para o processo supercrítico em Zurique. Isso permite criar, testar e iterar amostras rapidamente, sem depender de fornecedores na Ásia. O conhecimento fica em casa — um diferencial gigante frente à concorrência.

O Fator Humano

Ver um robô produzir um cabedal a centímetros de nós impressiona qualquer um. Ainda mais quem estuda o assunto há 30 anos, como a gente. Tive que voltar lá no terceiro dia para processar tudo.

Mas o mais marcante foram as pessoas. Quando uma marca investe tempo e recursos para aproximar quem faz o produto de quem o vende, é possível ter a dimensão real do potencial do time. Nossa host (da equipe de produto) chegou a se emocionar no encerramento, ao falar sobre o produto que ela ajudou a desenvolver e estava no pé dos convidados.

A meta deles não é o topo do mercado de massa. Eles querem ser a terceira maior força no running global, focando em valor agregado e tecnologia. Mas no canal especializado — nas lojas de corrida —, o objetivo é claro: ser a marca número um. E pelo que vimos em Paris, a marca tem potencial para isso.

Um agradecimento especial a todo o time da On Brasil e América Latina. Obrigado Rafael e Andrea, que nos acompanharam nesses 3 dias intensos, e também à Fiorella e à Katerine.

Parabéns a toda a equipe global que entregou o evento perfeitamente, mesmo enfrentando a forte onda de calor na Europa. Quem sabe faz ao vivo.

Avalie este post
Rodrigo Carneiro

Autor: Rodrigo Carneiro

Olá, sou Rodrigo Carneiro, corredor amador desde 1990. Além da corrida, também participo de corridas de aventura e ciclismo de longa distância desde 2013. Sempre fui apaixonado por desafios de longa distância e, na corrida, encontrei uma forma prazerosa e eficiente de manter minha saúde e qualidade de vida, combatendo o excesso de peso. Até hoje, corri 4 maratonas: São Paulo em 1999, Nova Iorque em 2007, Barcelona em 2009 e Paris (Olímpica*) em 2024. No ciclismo, concluí 3 edições da Paris-Brest-Paris, uma prova non-stop de 1200 km. Sou formado em engenharia e já passei por diversas áreas, como o mercado financeiro e um intercâmbio nos EUA, Inglaterra e Espanha. Em seguida, ingressei no varejo esportivo. Hoje, sou Diretor Técnico e Comercial da Velocità, empresa que fundei. Minha responsabilidade inclui a capacitação do time de atendimento e a definição do portfólio de produtos. Em 2024, apesar de não ser sorteado para a “Maratona para Todos” — a primeira edição da Maratona Olímpica aberta a amadores — decidi percorrer o mesmo trajeto na manhã da prova, que aconteceu durante a noite. Com a ajuda de um amigo, completei o percurso em pouco mais de 5 horas, apesar de alguns desvios por conta do trânsito fechado. Foi uma “prova” diferente, pois não é comum correr 42 km fora das competições oficiais. No blog da Velocità, compartilho meus conhecimentos para ajudar corredores a planejar maratonas, competições e provas, além de oferecer suporte na escolha do melhor tênis e acessórios, como vestimentas e técnicas.

Deixe um comentário